O tempo deixara de ser seu aliado, as sevícias tornavam-se insuportavéis, o corpo débil reclamava aconchego e protecção; o mesmo som para lá do portão e a vida a esvair-se como se nada mais importasse.Pedro o louco, aquele por quem Bela se apaixonara zurzia-lhe a alma.
A face pálida,olhar doentio e macilento, o corpo moribundo e mutilado deixava para trás a beleza estonteante e glamorosa .Bela tinha um plano arquiteta-lo tinha-lhe custado muitas horas de sono,os pesadelos constantes mantinham-na em sobressalto, auxiliando o cérebro a se manter activo e consciente. Gradualmente, tinha ganho a confiança de Pedro ás horas da refeição, pedindo-lhe docemente que a soltasse, pois ,apesar de tudo estava mais confortavél,e não iria fugir.Pulsos e tornozelos igualavam-se a pequenos troncos frágeis em que as intempéries dos elementos os quebrariam indubitavelmente,seria naquele dia a refeição serviria de ponto de fuga, esperou, tentando manter a calma para não se denunciar ; o tabuleiro chegava, um nó retorcia-lhe as entranhas mas uma força superior fê-la investir, os golpes desferidos com a simples faca que a ajudara a alimentar-se provocavam em Pedro ferimentos fatais. De mãos ensaguentadas arrastou-se penosamente até ao portão, trémula quase em choque no limite das suas forças entreabriu-o; e o sol, que se assumia protector, feriu-lhe o olhar toldando-lhe os sentidos,O tempo que permaneceu assim foi longo, anoitecia, o mesmo veiculo aproximava-se, enfraquecida vislumbrava o brilho que dele emanava, a policia chegava ao local,tinham estado tão próximos, todos os dias perguntavam por ela e todos os dias se afastavam deixando-a há sua sorte.
Abandonava o local, consciente que o futuro finalmente se perspectivava redentor
FIM
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08/07/2010
04/07/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (12ª parte)
O Corpo em frémitos de dor, suplicava, para que as investidas de Pedro cessassem ; possuía-a brutalmente, de olhos cerrados ansiava que os sentidos se extinguissem e a alma a abandonasse.Um grito de angustia e terror trouxe Pedro á realidade, a expressão do seu olhar doentio, transparecia um louco obstinado em que o objectivo final era a saciação do seu eu.
Chorava agora copiosamente, dorida faminta, mas acima de tudo desolada devastada na sua plenitude.
Porquê este comportamento? que homem era este que se revelava agora o seu algoz.
Pedro afastara-se sem proferir uma palavra deixando-a agonizante.
O sol já ia alto, vozes difusas,eram preceptivéis para lá do portão, um veiculo afastava-se vagarosamente.
Saciava a fome, um pequeno tabuleiro empurrado com desdém permanecia ao seu lado,os pulsos doloridos finalmente libertados denotavam toda a sua fragilidade
Chorava agora copiosamente, dorida faminta, mas acima de tudo desolada devastada na sua plenitude.
Porquê este comportamento? que homem era este que se revelava agora o seu algoz.
Pedro afastara-se sem proferir uma palavra deixando-a agonizante.
O sol já ia alto, vozes difusas,eram preceptivéis para lá do portão, um veiculo afastava-se vagarosamente.
Saciava a fome, um pequeno tabuleiro empurrado com desdém permanecia ao seu lado,os pulsos doloridos finalmente libertados denotavam toda a sua fragilidade
28/06/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (11ª parte)
Estacionaram em frente de um edifício peculiar , uma certa arte Naif, populava com um Barroco Rococó,embora parece-se abandonado pequenos pormenores denotavam a presença humana. Pedro conduzira-a até ali enigmático e de olhar furtivo esquivara-se ás suas perguntas . O interior era frio,húmido e o odor que emanava revoltava as entranhas, como se algo moribundo se arrastasse por ali.Alguns cadeirões rotos e debutados espalhavam-se pela área, o chão sujo denotava marcas grosseiras de líquidos viscosos de difícil remoção.
Uma pancada seca fê-la mergulhar num abismo profundo,do qual emergia agora,confusa ,a cabeça a latejar
os sentidos devastados tentou erguer-se, mas algo a impedia, de mãos e pés manietados o corpo descoberto e gélido, o sol que se esgueirava pela minúscula janela ,o ar putrefacto, aquele local.
Uma pancada seca fê-la mergulhar num abismo profundo,do qual emergia agora,confusa ,a cabeça a latejar
os sentidos devastados tentou erguer-se, mas algo a impedia, de mãos e pés manietados o corpo descoberto e gélido, o sol que se esgueirava pela minúscula janela ,o ar putrefacto, aquele local.
24/06/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (10ª parte)
A sessão iniciara, um filme romântico fora escolhido prazeirosamente para aquele final de noite.
No escuro a percepção dos sentidos intensificava-se,o tacto a suavidade dos seus dedos procuravam o calor intenso das mãos de Pedro. Uma lágrima furtiva teimava em deslizar pelo seu rosto, Pedro estava atento e cálidamente interrompeu o seu curso.
De mãos dadas respiravam avidamente o crepúsculo da noite, sombras observavam-nos, envolvendo-os dramaticamente.
Marcaram encontro no Bistrô ao fundo da rua 12:30, Bela chegou mais cedo ,pediu um Martini em copo com sal, adorava esta junção, subjugando o paladar ,estimulando-o a novas perspectivas,a novas emoções.
Avistara Pedro,um fato possivelmente comprado no exterior tornava-o ainda mais atraente e sedutor.
Os seus olhos cruzaram-se e um frio gélido percorreu todo o seu ser, algo não correspondia ao perfil a que Pedro a tinha habituado,almoçaram quase em silêncio apenas interrompido por pequenas frases proferidas aleatoriamente.
No escuro a percepção dos sentidos intensificava-se,o tacto a suavidade dos seus dedos procuravam o calor intenso das mãos de Pedro. Uma lágrima furtiva teimava em deslizar pelo seu rosto, Pedro estava atento e cálidamente interrompeu o seu curso.
De mãos dadas respiravam avidamente o crepúsculo da noite, sombras observavam-nos, envolvendo-os dramaticamente.
Marcaram encontro no Bistrô ao fundo da rua 12:30, Bela chegou mais cedo ,pediu um Martini em copo com sal, adorava esta junção, subjugando o paladar ,estimulando-o a novas perspectivas,a novas emoções.
Avistara Pedro,um fato possivelmente comprado no exterior tornava-o ainda mais atraente e sedutor.
Os seus olhos cruzaram-se e um frio gélido percorreu todo o seu ser, algo não correspondia ao perfil a que Pedro a tinha habituado,almoçaram quase em silêncio apenas interrompido por pequenas frases proferidas aleatoriamente.
19/06/2010
DA JANELA PARA O MUNDO( 9ª Parte )
Por momentos o seu olhar perdeu-se no balançar do precioso néctar que vibrava no copo de cristal,o seu pensamento vagueava na tentativa de conhecer Pedro, para além do fogo que a consumia a cada investida,ansiava poder revelar-lhe, as noites cálidas ao
som das Estações de Vivaldi, o gosto enuzitado pela pintura,Pablo com a sua Guernica
assumidamente surreal. E o Bolero,Ravel tinha-lhe sido apresentado de uma forma abrupta e emocional; a versão mais pura que jorrava o vermelho mais intenso e intemporal. Jorge Donn reinventara a magia dos corpos, em comunhão com o poder dos sons, Les Uns et les Autres, na sua versão original possuira-lhe os sentidos, devastando-os tornando-os submissos a um só querer. E Cesário Verde, em que frutas e flores se fundiam numa panóplia de cheiros e cor. E o gosto Gourmet refinado,aliado há paixão dos sabores acre e doce , sumptuoso e iverosimél , e as flores as crianças.
E Pedro quais os seu gostos, as suas vontades?
Este homem inebriava-a toldava-lhe a alma, mantinha-a expectante.
som das Estações de Vivaldi, o gosto enuzitado pela pintura,Pablo com a sua Guernica
assumidamente surreal. E o Bolero,Ravel tinha-lhe sido apresentado de uma forma abrupta e emocional; a versão mais pura que jorrava o vermelho mais intenso e intemporal. Jorge Donn reinventara a magia dos corpos, em comunhão com o poder dos sons, Les Uns et les Autres, na sua versão original possuira-lhe os sentidos, devastando-os tornando-os submissos a um só querer. E Cesário Verde, em que frutas e flores se fundiam numa panóplia de cheiros e cor. E o gosto Gourmet refinado,aliado há paixão dos sabores acre e doce , sumptuoso e iverosimél , e as flores as crianças.
E Pedro quais os seu gostos, as suas vontades?
Este homem inebriava-a toldava-lhe a alma, mantinha-a expectante.
14/06/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (8ªparte)
Serenamente ,fez deslizar pelo seu corpo um vestido de seda, transparecendo
a sua exuberância e sensualidade, as elegantes sandálias com finas pedrarias davam ao look um glamour inigualavél.
Pedro esperava-a ansiosamente no quarto de hotel ,seu corpo másculo antevia momentos de puro prazer, Bela toldava-lhe os sentidos imiscuía-o na sua própria condição,instintos selvagens assoberbavam-no deixando-o enlouquecido.
A refeição fora rápida, pequenos canapés e uns deliciosos damascos tinham-nos
deixado satisfeitos, degustavam agora um fino licor Italiano.
Pedro observava-a,suas formas voluptuosas envolviam-no numa espiral de luxúria
e paixão.
a sua exuberância e sensualidade, as elegantes sandálias com finas pedrarias davam ao look um glamour inigualavél.
Pedro esperava-a ansiosamente no quarto de hotel ,seu corpo másculo antevia momentos de puro prazer, Bela toldava-lhe os sentidos imiscuía-o na sua própria condição,instintos selvagens assoberbavam-no deixando-o enlouquecido.
A refeição fora rápida, pequenos canapés e uns deliciosos damascos tinham-nos
deixado satisfeitos, degustavam agora um fino licor Italiano.
Pedro observava-a,suas formas voluptuosas envolviam-no numa espiral de luxúria
e paixão.
04/06/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (7ª parte)
Permanecia agora num extase que disseminava toda a sua alma,buscava a paixão e o amor,almejava a felicidade;sentia tudo isso quando estava com Pedro.Era ele o seu
porto seguro, o abrigo onde se aninhava, perdendo-se no calor que dele emanava.
Bela, olhava para a imagem que reflectia no espelho estratégicamente colocado no tecto
do seu quarto e estremeceu, imagens difusas de sofrimento,dor,raiva e frustração deambulavam no seu inconsciente agonizando-a.
Tocava-se agora, perscrutando cada contorno, cada recanto, perdendo-se em ondas de prazer, que percorriam o seu corpo faminto,de um paraíso que existe.
porto seguro, o abrigo onde se aninhava, perdendo-se no calor que dele emanava.
Bela, olhava para a imagem que reflectia no espelho estratégicamente colocado no tecto
do seu quarto e estremeceu, imagens difusas de sofrimento,dor,raiva e frustração deambulavam no seu inconsciente agonizando-a.
Tocava-se agora, perscrutando cada contorno, cada recanto, perdendo-se em ondas de prazer, que percorriam o seu corpo faminto,de um paraíso que existe.
26/05/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (6ª parte)
Indiferentes aos olhares curiosos,passeavam agora na marginal, traziam no rosto a expressão pura de momentos edificantes cujo cunho perpetuava o prazer dos corpos irradiando sedução.
Bela olhava para Pedro com ternura, não imaginando porém o que se escondia para lá daquele olhar que se esgueirava em cada troca,em cada sorriso, em cada ilusão.
O sol desaparecia no horizonte envolto em mil cores; chegara a hora da despedida,retornaria ao seu quarto,ao seu mundinho medíocre, de auto-destruição,àquele cujo o qual não conseguia libertar-se, sim ,ela assumia-se como uma mulher da vida,em que a tortuosidade de cada momento suplicava compaixão.
Sucumbira a uma noite copiosamente desgastante, o seu corpo reclamava sentimentos
perdidos, jamais encontrados em putrefactos momentos de evasão, em que se abandonava aos devaneios de um qualquer, subjugando-se ao vil metal que a corrompia.
Bela olhava para Pedro com ternura, não imaginando porém o que se escondia para lá daquele olhar que se esgueirava em cada troca,em cada sorriso, em cada ilusão.
O sol desaparecia no horizonte envolto em mil cores; chegara a hora da despedida,retornaria ao seu quarto,ao seu mundinho medíocre, de auto-destruição,àquele cujo o qual não conseguia libertar-se, sim ,ela assumia-se como uma mulher da vida,em que a tortuosidade de cada momento suplicava compaixão.
Sucumbira a uma noite copiosamente desgastante, o seu corpo reclamava sentimentos
perdidos, jamais encontrados em putrefactos momentos de evasão, em que se abandonava aos devaneios de um qualquer, subjugando-se ao vil metal que a corrompia.
20/05/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (5ª parte)
Demorava-se agora, naquele olhar penetrante que a envolvia . Uma onda de prazer fê-la vibrar, seus lábios carnudos entreabertos pulsavam de desejo, esta mensagem generaliza-se e todo o seu corpo correspondia. Pedro desejava-a loucamente, agora entrelaçados sedentos de volúpia, os corpos surgiam num ritmo alucinante em que o limite era o saciar do fogo que perscrutava cada recanto, cada gesto, cada olhar. Permaneceram assim, neste limbo, em que corpo e alma se fundiam numa panóplia de odores e sensações. Amanhecia, raios tímidos iluminava-os ténuamente, nus ,revelavam-se mais belos de uma sensibilidade arrojada, de quem depois de saciado proclama a rendição.
06/05/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (4ª parte)
De olhos semi-cerrados, sentia um vazio percorrer-lhe o corpo que agora inerte permanecia submisso a um só querer, a verdade o porquê de tal atrocidade, a manhã já ia alta, os raios de Sol penetravam no aposento vigorosamente.
Pedro pressionava agora campainha, o que fez com que Bela saísse da letargia em que se encontrava, ainda perturbada, abrira a porta sem se preocupar com o seu corpo nu exposto ao olhar de Pedro, esta visão fê-lo demorar-se em cada detalhe em cada curva, absorvendo odores, inalando sedução.
Mandou-o entrar, absorta nos seus pensamentos, nem reparara no ar lascivo de prazer que tinha provocado. Tragava agora um café, e pela primeira vez observava demoradamente aquele homem misterioso que tinha entrado abruptamente na sua vida.
Pedro pressionava agora campainha, o que fez com que Bela saísse da letargia em que se encontrava, ainda perturbada, abrira a porta sem se preocupar com o seu corpo nu exposto ao olhar de Pedro, esta visão fê-lo demorar-se em cada detalhe em cada curva, absorvendo odores, inalando sedução.
Mandou-o entrar, absorta nos seus pensamentos, nem reparara no ar lascivo de prazer que tinha provocado. Tragava agora um café, e pela primeira vez observava demoradamente aquele homem misterioso que tinha entrado abruptamente na sua vida.
23/04/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (3ª parte)
Já na salinha que tinha sido decorada com muito bom gosto, poltronas de veludo púrpura, ladeadas por pequenas mesas marmoreadas, cujos veios, identificavam o local da sua extracção, tornavam o ambiente apelativo e acolhedor; disposta numa delas, uma garrafa de champanhe e uns fantásticos morangos apelavam há luxúria.
Passava das 00:03h, o tempo não lhe pertencia, cada gesto cada palavra, absorvia-a.Este homem enigmático acariciava-lhe os sentidos, deixando-a sem defesas.
Os pregões matinais já se faziam ouvir, no ar um odor fresco a orvalho invadia a divisão.
Despediram-se com promessas de uma nova visita e agora extenuada, mas particularmente feliz, adormeceu. O dia trar-lhe-ia uma nova visão dos acontecimentos.
Lá fora o burburinho intensificava-se, sirenes, gritos e o apito estridente de um polícia fê-la levantar-se, o sol quase a pôr-se provocou-lhe uma sensação de preguiça ainda maior, o estômago já dera sinal, vestiu-se apressadamente e desceu; tinha combinado com Maria um pequeno lanche na pastelaria ao fundo da rua, absorta nestes pensamentos não reparava na agitação em frente a sua casa.
Coitada, que monstro pode ter feito isto, dizia alguém horrorizado com tal cenário,
Talvez um crime passional retorquiu outro, involuntariamente o seu olhar petrificou ao avistar o corpo que jazia já sem vida no empedrado sujo e frio.
Não conteve as lágrimas e sentiu-se desfalecer, acordava agora envolta nuns braços robustos, aconchegantes e naquele olhar que a tinha perturbado. A lembrança de Maria já sem vida, o seu corpo esquartejado, o cheiro ocre do sangue fizeram-na gritar de dor Quem poderia ter feito tal monstruosidade, este pensamento persistia, sem que conseguisse tirar dai alguma conclusão.
A polícia interrogava-a agora, mas o seu olhar deambulava pela divisão, as suas palavras balbuciadas descompassadamente torturavam-na.
A sua melhor amiga tinha sido assassinada, quem? Quem seria o monstro capaz de tirar a vida aquela que ela tanto amava.
( Continua )
Passava das 00:03h, o tempo não lhe pertencia, cada gesto cada palavra, absorvia-a.Este homem enigmático acariciava-lhe os sentidos, deixando-a sem defesas.
Os pregões matinais já se faziam ouvir, no ar um odor fresco a orvalho invadia a divisão.
Despediram-se com promessas de uma nova visita e agora extenuada, mas particularmente feliz, adormeceu. O dia trar-lhe-ia uma nova visão dos acontecimentos.
Lá fora o burburinho intensificava-se, sirenes, gritos e o apito estridente de um polícia fê-la levantar-se, o sol quase a pôr-se provocou-lhe uma sensação de preguiça ainda maior, o estômago já dera sinal, vestiu-se apressadamente e desceu; tinha combinado com Maria um pequeno lanche na pastelaria ao fundo da rua, absorta nestes pensamentos não reparava na agitação em frente a sua casa.
Coitada, que monstro pode ter feito isto, dizia alguém horrorizado com tal cenário,
Talvez um crime passional retorquiu outro, involuntariamente o seu olhar petrificou ao avistar o corpo que jazia já sem vida no empedrado sujo e frio.
Não conteve as lágrimas e sentiu-se desfalecer, acordava agora envolta nuns braços robustos, aconchegantes e naquele olhar que a tinha perturbado. A lembrança de Maria já sem vida, o seu corpo esquartejado, o cheiro ocre do sangue fizeram-na gritar de dor Quem poderia ter feito tal monstruosidade, este pensamento persistia, sem que conseguisse tirar dai alguma conclusão.
A polícia interrogava-a agora, mas o seu olhar deambulava pela divisão, as suas palavras balbuciadas descompassadamente torturavam-na.
A sua melhor amiga tinha sido assassinada, quem? Quem seria o monstro capaz de tirar a vida aquela que ela tanto amava.
( Continua )
18/04/2010
DA JANELA PARA O MUNDO (2ª parte)
Como que por intuição, apressaram o passo, desaparecendo no beco mais próximo.
Já em casa Maria ainda pensava na sensação estranha que o desconhecido lhe tinha provocado, comentando com a amiga essa sua inquietude.
Bela olhava agora através da vidraça, algo lhe despertara a atenção, o mesmo homem, o mesmo olhar, observava-a agora. Retirou-se para junto de Maria sem contar o sucedido. Passaram o resto da tarde em amena cavaqueira bebericando um chá que as reconfortava.
O cair da noite provocava em Bela sensações controversas, a angústia incontida transformava o cenário do seu quarto, num mundo obscuro, em que o prazer e a dor coexistiam lado a lado.
O som da campainha fê-la bloquear os pensamentos e de relance olhou o relógio que se encontrava na mesinha de apoio, 22:00h,o tempo mantinha-a cativa. Lá fora começara a chover.
Deparava agora com aquele homem, parecia mais alto e um leve sorriso brincava-lhe no olhar, aquele que tinha ficado gravado na sua memória.
Olá disse ele, sua voz rouca, quase indolente, transmitia lascivamente sensações inexplicáveis; mandou-o entrar não imaginando porém que iria ser ele o seu algoz.
(Continua)
Já em casa Maria ainda pensava na sensação estranha que o desconhecido lhe tinha provocado, comentando com a amiga essa sua inquietude.
Bela olhava agora através da vidraça, algo lhe despertara a atenção, o mesmo homem, o mesmo olhar, observava-a agora. Retirou-se para junto de Maria sem contar o sucedido. Passaram o resto da tarde em amena cavaqueira bebericando um chá que as reconfortava.
O cair da noite provocava em Bela sensações controversas, a angústia incontida transformava o cenário do seu quarto, num mundo obscuro, em que o prazer e a dor coexistiam lado a lado.
O som da campainha fê-la bloquear os pensamentos e de relance olhou o relógio que se encontrava na mesinha de apoio, 22:00h,o tempo mantinha-a cativa. Lá fora começara a chover.
Deparava agora com aquele homem, parecia mais alto e um leve sorriso brincava-lhe no olhar, aquele que tinha ficado gravado na sua memória.
Olá disse ele, sua voz rouca, quase indolente, transmitia lascivamente sensações inexplicáveis; mandou-o entrar não imaginando porém que iria ser ele o seu algoz.
(Continua)
15/04/2010
DA JANELA PARA O MUNDO
Uma leve brisa, fez estremecer o seu corpo que se encontrava descoberto, no ar pairava um cheiro cítrico, que envolvia alegremente a divisão.
Estranhamente, algo a fez erguer desse marasmo que se instalara na sua vida; lá fora ouviam-se passos agitados, numa calçada sempre suja, risos fáceis de crianças brincavam inconscientes
mas existia um único som quase inaudível, imperceptível ao vulgar dos mortais, o som da sua consciência.
A noite anterior tinha sido terrível, no corpo a dor, a mágoa, de um passado presente ao qual não conseguia fugir.
Todo o seu ser tinha sido devastado e agora enrolada sob si chorava de raiva e indignação.
O toque da campainha fê-la voltar há realidade; Maria sua grande amiga chegara para a consolar, as conversas eram sempre ambíguas, ora choravam ora riam quase parecendo portadoras de alguma doença psicossomática, mas só assim conseguiam descomprimir dessa vida putrefacta em que estavam atoladas.
A fome apertava, resolveram sair; por perto e na tasquinha do costume, saciaram os corpos de um alimento que lhes seria crucial, por fim, um café quentinho reconfortava a alma de quem a tinha extinguido na sua plenitude.
Cá fora indiferente a tudo e todos permanecia alguém que iria mudar drasticamente o rumo desta história. A beleza estonteante destas mulheres não passava incólume, o ar ficava rarefeito, os pensamentos obstruídos e o olhar tentava absorver cada curva, cada expressão, cada odor que delas emergia.
Maria a mais efusiva, chamava agora a atenção, da amiga beliscando-a furiosamente; avistava um espécime em vias de extinção; alto, musculado cujos olhos de um azul profundo a fizeram estremecer; não de prazer mas sim de algo que posteriormente iria reconhecer.
Continua
Estranhamente, algo a fez erguer desse marasmo que se instalara na sua vida; lá fora ouviam-se passos agitados, numa calçada sempre suja, risos fáceis de crianças brincavam inconscientes
mas existia um único som quase inaudível, imperceptível ao vulgar dos mortais, o som da sua consciência.
A noite anterior tinha sido terrível, no corpo a dor, a mágoa, de um passado presente ao qual não conseguia fugir.
Todo o seu ser tinha sido devastado e agora enrolada sob si chorava de raiva e indignação.
O toque da campainha fê-la voltar há realidade; Maria sua grande amiga chegara para a consolar, as conversas eram sempre ambíguas, ora choravam ora riam quase parecendo portadoras de alguma doença psicossomática, mas só assim conseguiam descomprimir dessa vida putrefacta em que estavam atoladas.
A fome apertava, resolveram sair; por perto e na tasquinha do costume, saciaram os corpos de um alimento que lhes seria crucial, por fim, um café quentinho reconfortava a alma de quem a tinha extinguido na sua plenitude.
Cá fora indiferente a tudo e todos permanecia alguém que iria mudar drasticamente o rumo desta história. A beleza estonteante destas mulheres não passava incólume, o ar ficava rarefeito, os pensamentos obstruídos e o olhar tentava absorver cada curva, cada expressão, cada odor que delas emergia.
Maria a mais efusiva, chamava agora a atenção, da amiga beliscando-a furiosamente; avistava um espécime em vias de extinção; alto, musculado cujos olhos de um azul profundo a fizeram estremecer; não de prazer mas sim de algo que posteriormente iria reconhecer.
Continua
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